A Busca pela Primeira Experiência
Na psicanálise, aprendemos que o bebê se constitui a partir do olhar do outro. Num primeiro instante, o sujeito ainda é fragmentado e, sabe aquelas frases clássicas como: “Olha aqui o pezinho do neném”? É isso que vai dando contorno à criança. O olhar que percorre todo o corpinho do bebê, o toque que aquece sua pele.
E, quando a gente cresce, continuamos em busca desse contorno. O desejo de ser vista, de ser tocada, de ser desejada. Não no sentido sexual e pejorativo da palavra, mas de ser vista com amor, com ternura, com paixão...
Para Lacan, nós somos sujeitos da falta. Sempre estaremos em busca de algo que preencha nossos vazios. Mas é de bom tom lembrarmos que existem vazios que nunca serão preenchidos.
Nós sempre tentaremos reviver o primeiro olhar, o primeiro toque... tentamos reencontrar algo da primeira experiência de satisfação. Biologicamente falando, na primeira vez que fazemos algo novo e prazeroso, o pico de dopamina é enorme. Mas, nas vezes seguintes, o cérebro se adapta a essa experiência, em um processo natural de tolerância. Então, o estímulo se torna previsível e, por isso, a excitação e o prazer diminuem.
E é exatamente isso que nos angustia: a dificuldade de reconhecer e sustentar a falta que constitui nossa existência. Mas, quando aceito que esse sentimento me acompanhará ao longo da vida e que existem vazios que não serão preenchidos da forma como eu imaginava, passo a me permitir viver com mais leveza, prazer e satisfação.



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