SINTOMAS: E o que mais aprendi quando o amor me decepcionou
O livro Sintomas: E o que mais aprendi quando o amor me decepcionou, de Marcela Ceribelli, traz inúmeras reflexões sobre como opera a lógica do amor romântico nos dias de hoje e o quanto isso foi se moldando ao longo dos anos dentro de uma sociedade patriarcal.
Ela nos lembra fatos que esquecemos ou que simplesmente ignoramos, talvez pelo medo que isso nos causa.
Pra que voltar no passado... afinal, já passou, né? (contém ironia)
Ela relembra fatos que parecem distantes, mas que, honestamente, não estão tão longe assim. Como, por exemplo, o fato de a Lei do Divórcio no Brasil ter sido aprovada em (pasmem) 1977. Ou ainda o Código Civil de 1916, em que a lei determinava que a mulher casada era considerada “relativamente incapaz” e, por isso, precisava da autorização do marido para realizar diversos atos civis, como trabalhar fora, assinar contratos ou viajar... (oi?)
Parece absurdo hoje. Mas talvez o mais assustador seja perceber como algumas estruturas continuam existindo, só que com outra roupa.
Entre tantos capítulos bons, o que mais me pegou foi “A Sala de Espera”.
Consegue imaginar o que vem? Pois é, o nome já diz tudo.
A mulher que aprende a viver emocionalmente sentada, aguardando. Esperando alguém escolher ficar. Esperando alguém decidir amar. Esperando o outro definir quando a relação começa, quando amadurece, quando assume forma... A ideia de que a vida de uma mulher só será satisfeita quando ela encontrar o “amor da sua vida” (e nada contra querer encontrar alguém pra compartilhar a vida, viu? Afinal, também é meu desejo).
E aqui entra uma questão importante: isso não é um ataque aos homens. Pelo contrário. Talvez esse livro interesse tanto aos homens justamente porque também mostra o peso que existe sobre eles. O homem que aprendeu que sentir demais é fraqueza. O homem que muitas vezes não sabe dizer “eu quero ficar” ou “eu quero ir embora”, porque nunca ensinaram que vulnerabilidade também é linguagem.
E talvez seja por isso que tantas relações acabem no silêncio antes mesmo do fim oficial.
E é curioso, porque ontem estive assistindo ao filme Criaturas Extraordinariamente Brilhantes, e a frase que mais me chamou atenção foi do polvo (amado🥹🤍): “Por que os humanos não podem usar suas milhões de palavras para simplesmente dizer uns aos outros o que sentem?”
Talvez porque sentir exige coragem.
E ser vulnerável exige ainda mais.
No fim, acho que o livro não fala apenas sobre amor romântico. Ele fala sobre as formas como fomos ensinados a existir dentro das relações. Mulheres ensinadas a esperar. Homens ensinados a suportar tudo calados. E ambos tentando amar carregando linguagens emocionais quebradas.
E eu termino esse texto com a seguinte reflexão... Penso que, amadurecer é parar de esperar autorização para viver e começar a construir relações onde ninguém precise adivinhar o que o outro sente.
“Vulnerabilidade não é ganhar ou perder; é ter a coragem de aparecer e ser visto quando não temos controle sobre o resultado. Vulnerabilidade não é fraqueza; é a nossa maior medida de coragem.” — Brené Brown
“É através da vulnerabilidade que nos permitimos sentir e viver de verdade, despindo-nos das nossas armaduras.” — Clarice Lispector



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